Imagens por país dos carros citados para a década de 50

Abaixo segue uma lista dos carros por país que circulavam por aqui, talvez em Campinas e S.Paulo, mas foram carros que eu via, ainda que em muitos casos existiam um ou talvez dois na cidade. Eu tive um Wolseley 46 que foi o único que jamais vi.

Wolseley 46 em 66

Eu trabalhei indiretamente na Industria automobilística brasileira, na Clark e na Bosch, entre 65 e 70 antes de me firmar na IBM, onde trabalhei 22 anos.
Peguei todo o rojão da ampliação da VW, que estabeleceu uma estrategia de dominar o mercado brasileiro (e indiretamente a América Latina), pois a VW foi a primeira na industria automobilística brasileira a efetivamente instalar uma fabrica de automóveis. A Bosch fornecia toda a parte elétrica do besouro, motor de arranque, gerador (depois alternador), regulador de voltagem. motor do limpador de para brisas, rádios, faróis, velas, etc.
Lembro-me da balburdia que foi quando os alemães simplesmente nos comunicaram que “era tudo 1000 por dia…” Porque a VW queria fazer 30 mil carros por mês… Não só conseguiu, mas como ultrapassou e bastante, chegando a mais de um milhão por ano na sua fase aurea…
A produção TOTAL de vários carros brasileiros em toda sua vida de produção, em muitos casos era o que a VW passou a produzir em um Mês…
E ela ainda tomou a providência de comprar e matar o DKW. E juntou-se com a Ford com a mesma intenção e quase a elimina da presença no Brasil…Ela matou a Chrysler do Brasil na boa, via compra das ações no Brasil e desligamento da Chrysler americana que acabou nas maos da Fiat muitos anos depois.
Em 65, 70, era impossível deixar de perceber o que estava ocorrendo e auxiliado pelo meu interesse natural em automóveis, posso testemunhar varias coisas que creio que não estão registradas em lugar algum.
O fator básico que atraiu as industrias que se tornaram “brasileiras” era de natureza financeira. Mais precisamente, a forma de capitalização e como tirar lucro do capital investido.
O investimento nas instalacoes tem que levar em conta a amortização, que por sua vez é o fator de maior peso na possibilidade de lucro por unidade vendida.
De cara tem o problema que tem que ter um certo numero mínimo de produção apenas para empatar e passar a dar lucro… Que é o que segurou o terceiro mundo e apenas no Brasil pode dar certo, face ao mercado que temos.
Inicialmente, a politica que o Brasil instituiu para resolver isto era apoiada basicamente em duas coisas:
– As linhas de produção que ficavam obsoletas podiam entrar como capital, bem como as maquinas dos insumos, isto é, tornos, furadeiras, fresas, etc. Isto reduzia a amortização a zero e não precisava por dinheiro.
– Não interessava quantas unidades voce produziria ou venderia, sempre teria lucro.
Naquela epoca, nos EUA, a Kaiser comprou a Willys Overland que estava a beira da falência e tinha que eliminar a produção do Aero, que não tinha chance face aos Big Three (junto com o Kaiser…) e ao invés de scrapear e jogar no lixo, como seria o caso, enviou o Aero para o Brasil e o Kaiser para a Argentina..
No Brasil, estas linhas ficaram quase 10 anos para iniciar a produção, já que o primeiro carro da Wilys do Brasil foi o Daulphine em 59 e o Aero começou em 60.
Aero Willys
Os argentinos desde os anos 50 tentavam colocar uma industria automobilistica no pais e mandavam missões para este fim aos EUA consultarem os grandes fabricantes que não se interessavam, pelos dois motivos acima: produção minima insuficiente e impossiblidade de lucro. A Kaiser se interessou e chegou a enviar as linhas de produção do Kaiser que foi produzido lá com o nome de Carabela, sendo que sua produção total foi de uns 15 000 carros…
Os Argentinos comecaram bem antes, mas não tinham nem mercado nem capital para fazer a coisa certa… Dêem uma olhada neste quadro com a produção mundial de automóveis em 65, bem depois do inicio heróico e pouco depois do inicio no Brasil.
world production 1965
Se não der para ver, baixem a foto e ampliem, ou vai nos três pontinhos à esquerda no canto e dá zoom.
Deste quadro, da para ver o seguinte e como ele se relaciona com a produção de 1000 por dia que a VW iniciava no Brasil em 65’66
– A Argentina produziu em 65 196 800 carros, enquanto que o Brasil produziu no mesmo ano 180 800. Mas na Argentina a maioria dos modelos não vendia  sequer 10000 por ano, ou seja, tecnicamente não existiam e estavam praticamente mortos, e isto já era 1965! Eles não tinham mercado para nada e tinham aquela mania de grandeza de querer fazer coisa de luxo…
– O Brasil tinha mercado e não era pretensioso, com a VW fazendo 59600 besouros por ano e a Willys estava razoavelmente viva como Dauphine (já Gordini ) e o Jeep.
Os dois tinham inércia para carros populares e inicialmente pegaram as linhas obsoletas dos seus paises de origem. Vejam como andava a venda dos carros europeus nos EUA nesta epoca:
usa registration 1965
A Volkswgen era 75%! Os ingleses, que foram os primeiros a chegar, estavam sumindo, juntos com outros europeus da primeira hora.
A Renault estava sumindo junto com a Fiat e se retirariam do mercado logo em seguida, no inicio dos anos 70. A Peugeout ainda tentou ficar, mas vendeu apenas uns 1000 (isto mesmo, mil…) do 405 e abandonou o mercado nos anos 90.
Se você leu o artigo da Wikipedia, verá que eles não mencionam que vendeu apenas 1000 e se leu a chamada sobre o fato, vai ficar confuso achando que os americanos são estupidos, porem, quando eu estive na Alemanha, em 95,me chamou a atenção a quantidade de 405 que vi. Perguntei a um alemão categorizado, de uma universidade de coisas mecânicas que estavamos vendo um projeto, o que vocês acham deste carro e desta marca? ” – Não tem qualidade…” Alguns anos depois, meu filho Paulo compraria um Peugeout 206 aqui no Brasil e o carro simplesmente não acordava de manhã o acelerador eletrônico (by wire) era temperamental. Consultando a Agencia autorizada, eles queriam 1000 reais (o carro inteiro valia 10000…) para diagnosticar… mais o que faltasse para consertar… Explica tudo, inclusive porque apesar de tão atraentes têm tanta dificuldade para vender no Brasil…
E o Peugeout 406 para mim é um dos carros mais bonitos que já vi… Tentamos comprar um, para meu filho mais velho, Daniel, mas o carro era automático e de 4 cilindros… era tão manco que não dava para encarar, apesar de toda a beleza e do preço extremamente atraente…
Existe uma versão do 406 com motor V6, cupê, Pininfarina, compartilhando aparência com o Alfa Romeu 164, uma das maiores porcarias que ja aportou no Brasil e que deve ser a certa, mas quando novo custava mais que um Ford Taurus, aqui no Brasil…
O Peugeout 407 seguiu a linha de extrema beleza, tambem ganhou o carro do ano na Europa como ocorrera com o 405 e a Peugeout decidiu que ele seria na sequência Peugeout 508, pois no Peugout 408 fizeram uma melhor ainda… desceram o carro totalmente de nivel e nomearam como se fosse do nicho do 407… qualquer coisa como se a VW de repente trocasse a placa do Fox como se fosse Golf….
Viva a diferença entre os textos das revistas, da Internet e da Realidade… e porque um Toyota Corolla vale o dobro de um Peugeout 408 dois anos depois de sair da fábrica…
Voltando ao nosso assunto:
Vejam neste livro The Turnaround Experience
Na pagina 111 tem um quadro sobre amortização que reflete a razão do sucesso e da morte da AMC, que foi o que restou da Willys e da Renault lá.
Alias, o que efetivamente tem a ver com a permanencia de um produto face a um mercado é excelentemente analisado neste livro, que recomendo.
A Renault tentou dar a volta por cima, comprou a AMC,  admitindo publicamente que fizera maus produtos, mas simplesmente, nunca entendeu o mercado americano nem como fazer um produto efetivamente confiavel…
Quem fez isto direitinho foram os Japoneses… Mas os coreanos fizeram melhor ainda… E sem duvida, os alemães foram os primeiros e entendem a parte do mercado que lhes intreressa e basta ver que a VW tecnicamente é a maior do mundo e a linha de luxo dos alemães não tem concorrência…
Os ingleses nunca mais se recuperaram e detém alguns nichos como carros de altíssimo luxo ou SUV’s. Recentemente eles conseguiram o feito de matar o jeep Land Rover, que não esta mais em produção.
A FIAT vai aos trancos e barrancos, com um histórico de amor e ódio com os EUA que merecia uma analise a parte…
Vejam  o anuncio da Renault pedindo desculpas
Renault apologizing
Ou seja, trocando em miudos, a VW estava ampliando a produção e precisava se desfazer das linhas de montagem iniciais e a Renault não tinha como colocar a produção de suas linhas iniciais, pois o produto nao vendia mais!
E veio tudo para o Brasil …
O que estava por tras do aparecimento de nossa industria automobilistica é isto, no que eu me lembre naquilo que participei, e não vejo nenhum demérito nisto, porque acabou dando certo e o jogo é jogado assim…

Marcas por ano. Para quem tiver curiosidade de saber tudo que se fazia naquele ano naquele pais, apertar lista e explorar 

Citroen

1950    1953    1955    1957    1959

Renault

1950    1953    1955    1957    1959  

Panhard

1950    1953    1955    1957    1959 

Simca

1950    1953    1955    1957    1959 

Peugeot

1950    1953    1955    1957    1959 

Itália

Fiat

1950   1953    1955    1957    1959

Alfa Romeo

1950   1953    1955    1957    1959

Inglaterra

Jaguar

1950   1953    1955    1957    1959

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