MG TD 52 July 52 Pop Mechanics Português

Como saiu na Revista Popular Mechanics em Julho de 1954

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Nossa pesquisa entre os proprietários dos carros MG estabeleceu uma nova marca, no que se refere ao percentual de questionários respondidos. Estas pessoas não somente responderam todas as perguntas com presteza como também um grande numero deles adicionou sua opinião pessoal, que na maior parte dos casos foi para elogiar este popular auto britânico.
Mesmo que a capacidade de produção e outros fatores tornem pouco provável que automóveis esportivos como este representem uma séria ameaça às fábricas de Detroit, é evidente que existe um excelente mercado potencial para este tipo de automóvel nos Estados Unidos. Pode ser que as fábricas americanas estejam deixando passar ao largo uma magnifica oportunidade ao não produzir um auto como o MG.

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Aproximadamente a metade dos proprietários do MG que responderam ao questionário, manifestaram que são donos de mais de um auto, portanto, parece sem dúvida que uma das principais funções do automóvel esportivo nos Estados Unidos é servir de “auto auxiliar”.
O grande entusiasmo por estes pequenos automóveis pode comprovar-se na resposta à nossa pergunta: “Como você classifica o MG em termos gerais: Excelente, bom, regular ou medíocre?” Dos que responderam a esta pergunta, 74% classificou o MG de “excelente”.
A opinião “o conduzir deste automóvel é uma verdadeira diversão”, talvez seja o comentário que mais apareça nas respostas. Os donos do MG parecem pertencer a um grupo inteiramente de automobilistas, são indivíduos que buscam algo mais, além do transporte. Alguns dos comentários recebidos são os seguintes:

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“Creio que o auto esportivo terá cada vez mais partidarios, porem sem chegar a deslocar o automóvel de passageiros” nos respondeu um médico de Albany, no estado de Oregon.
“É um verdadeiro prazer guiar o MG” nos opinou um motorista de ônibus, que vive em Milwaukee, Wisconsin.
Um dentista, que exerce sua profissão na cidade de Chicago, nos disse: “Este automóvel parece ser um auto realmente assombroso – pois além de rápido, seguro, é bastante cômodo.”
Se fosse possível demonstrar ao público em geral as conveniências deste tipo de automóvel, os fabricantes de autos leves nos Estados Unidos teriam que parar suas atividades, ou dedicar-se a produzir um veiculo de qualidade similar a este.” Esta foi a opinião de um técnico de som em um dos estúdios cinematográficos de Holywood, na Califórnia.
“Meu MG se constitui numa atração onde quer que eu pare. Eu mesmo me encarrego de lavá-lo, pulí-lo e arrumá-lo em minhas horas vagas. Este pequeno carro tem aparência, brio e qualidades que me satisfazem sobremaneira.” Esta foi a resposta de um advogado de Wrentham, Massachussets
“Espero que Detroit se de conta das vendas deste carro e que produza algum dia um parecido.” Responde um oficial da Força Aérea, alojado em Crestline, na Califórnia.
“Me encanta dirigir este auto, pois me dá a sensação que formo parte dele, em vez de servir-me apenas como meio de transporte. Isto se deve parcialmente à necessidade de trocar as marchas várias vezes, ao som de seu motor e sua reação instantânea.” Manifesta um industrial de Thiensville, Wisconsin.
“O MG deveria ter seu sistema elétrico de 6 volts, já que nos Estados Unidos é difícil consertar-se sistemas de 12 volts. No mais, considero este automóvel excelente.” Declara um corretor da bolsa de Los Angeles, Califórnia.

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Um engenheiro de Dumont, N.J., e um agente industrial em La Grange, Illinois, estão de acordo em uma coisa. O primeiro nos disse: “Indubitavelmente são autos para homens. Me dei conta que as senhoras casadas não aprovam este tipo de auto.” O segundo proprietário manifesta que o MG tem um grande futuro nos Estados Unidos, sempre e quando as esposas permitirem que o dono da casa seja o que selecione o automóvel que se irá comprar…
Pelo menos duas mulheres proprietárias estão de acordo com esta opinião masculina. Uma desenhadora de modas de Milwaukee, Wisconsin, nos respondeu: “Toda garota deve possuir um destes automóveis.” De Portland, Oregon, recebemos a seguinte resposta de uma funcionaria de um escritório: “Para mim é o automóvel ideal… Prático, fácil de conservar e de consertar; além disto, o MG tem um certo estilo próprio que agrada muito às mulheres.”
“O custo de operação do meu MG é muito baixo, suas qualidades de marcha são muito boas e sobretudo, é o automóvel de linhas mais belas que existe.” Foi o comentário de uma enfermeira que trabalha em Brooklyn, N.Y.
“Do ponto de vista feminino, o MG oferece muitas vantagens, mais do que qualquer outro automóvel de fabricação americana.” nos responde uma funcionaria de Nova Orleans, Louisiana.
Como sempre, existe o característico grupo dos descontentes. Entre as queixas recebidas aos nossos questionários, estão as que se seguem:
“Demasiadamente pequeno, é difícil de entrar e sair e tem um valor de revenda baixo”. É a opinião de um médico de Montclair, N.J. (Por outro lado, um agente de seguros em Beaver Falls, Pennsylvania, nos disse: “Apesar de medir 1,82 m e pesar 104 quilos, posso entrar e sair do meu MG sem dificuldade alguma.”
“Até esta data, outros três automóveis, ao dar marcha ré, bateram na frente do meu MG, pois aparentemente seus motoristas não viram meu carro. No meu modo de ver, isto não tem solução, ao menos que o motorista americano aprenda a ser mais cuidadoso.” Esta queixa foi de um desenhista que vive em Piedmont, Califórnia.
Um operário de uma fábrica em Milwaukee se queixa que os serviços de reparo no seu MG são mais caros que ele calculara quando comprou o carro. Ele atribui isto ao fato que muitos mecânicos acreditam que o dono de um automóvel de marca estrangeira tem que ser forçosamente, um indivíduo rico…
Um vendedor de jóias de Flint, Michigan, manifesta o seguinte: “A revenda de um auto esportivo é tão difícil como do auto que uso.”
“A dificuldade de possuir um MG, está no preço que se tem que pagar para o aquecedor, o rádio, chaves de luz, etc. Estas peças são caras e devido ao fato que o sistema é de 12 volts, não se pode comprar acessórios elétricos nas lojas locais.” Esta resposta recebemos de um capataz de uma fábrica de Union, N.Jersey.
Na nossa pesquisa aparecem outras reações de queixa, dentre as quais selecionamos as seguintes:
“O automóvel não tem brio (“punch”), a mão de obra mecânica é de qualidade inferior, suas qualidades de engenharia são medíocres e não resiste a maus tratos.” Assim se expressa um operador de maquinas de Longview, Washington. (Esta foi a única resposta nestes termos de toda a pesquisa).
“Me é impossível ler os instrumentos do painel à noite; além disto, o motor do MG devia ter uns 15 ou 20 cavalos a mais.” Este queixoso é um artista comercial residente em Burbanck, Califórnia.
“O motor do MG deveria ter uma potência maior para que pudesse desfrutar das excelentes auto-estradas americanas.” Responde um corretor de bolsa radicado em Los Angeles, Califórnia.
Um vendedor, residente em Chicago, se queixa que quando o tempo está muito frio, a visibilidade deste automóvel esportivo é deficiente, uma vez que os pára-brisas continuamente se embaçam e se congelam.

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Por outro lado, um inspetor de uma companhia de aviação, em Oakland, Califórnia, baseia sua queixa no fato que cada vez que estaciona seu MG, uma infinidade de gente o cerca e toca o veiculo em todas as partes. (Esta queixa ocorreu varias vezes na enquete).
A queixa , mais frequente referente ao MG modelo Midget TD é de pouca importância – muitos donos não estão satisfeitos com o teto de lona e com as janelas laterais. Certo numero de proprietários parecem inconformados com a medida adotada pela fábrica de substituir as rodas de raios pelas maciças e outros se mostram desgostosos devido ao fato que o MG não tem medidor de temperatura da água nem do tanque de gasolina. Porém, no total, o numero de queixas recebidas em nossa enquete é consideravelmente baixo.

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Resultado da prova efetuada por mim mesmo

Conduzi meu carro de teste em boas estradas, caminhos vicinais e vários quilômetros no deserto e através de montanhas.
Realmente é uma sensação agradabilíssima dirigir o MG devido ao fato que o condutor recebe a impressão de formar parte integral do automóvel. Suas qualidades de marcha não podem comparar-se com as do automóvel norte-americano de tamanho grande, no que diz respeito à comodidade e suspensão. Porém a habilidade do MG para fazer curvas em alta velocidade e manobrar rapidamente ao dobrar-se uma esquina onde o angulo é mais agudo, é superior à de qualquer automóvel fabricado nos Estados Unidos. Isto se deve ao baixo centro de gravidade, suspensão rígida, coeficiente de atrito do mecanismo de direção e desenho em geral, com que conta o auto britânico. Sua tração é excelente, tendo a distribuição de 50% nas rodas traseiras. O capô é bem longo e o condutor se esquece que está num auto pequeno.
O motor de quatro cilindros, com válvulas na cabeça, tem um deslocamento de 1,260 cilindradas, com 54.4 HP a 5200 rotações por minuto. O motor tem a metade do tamanho do motor usado atualmente no Henry J, Willys ou Nash Rambler e menos que uma terça parte do motor de um Ford, Chevrolet ou Plymouth , sendo que o MG atinge 130 quilômetros por hora e pode viajar um dia inteiro entre 95 e 100 quilômetros por hora. A maioria dos motoristas esportivos são “pessoas conscientes das r.p.m.’s (rotações por minuto)” e usam um medidor conhecido como tacômetro. Mesmo quando o motor do MG gira a 6000 rpm’s, o motorista médio considera 5000 rpm’s seguro para este tipo de motor (Este deslocamento é aproximadamente o mesmo de uma motocicleta grande norte-americana, como Harley ou Indian). Seu rendimento é incrível e suas necessidades de serviço são muito simples.
A transmissão de quatro velocidades tipo sincronizada tem quatro marchas para frente e uma a ré. Este câmbio é muito barulhento. Os pedais da embreagem e do freio são muito pequenos e me agradaria um pouco mais de espaço entre eles. Os freios hidráulicos Lockeed são muito efetivos e não mostram tendência a perdas(“fading”), mesmo quando se abusa deles. O freio de mão, situado entre os bancos, funciona puxando-se a alavanca para cima.

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A posição do motorista é cômoda e as portas tem um perfil baixo que proporciona um excelente suporte para os braços. O espaço para as pernas é mais que adequado.
A fabrica do MG tem a política de fazer acompanhar cada carro com um jogo de ferramentas apropriadas. (É lamentável que os fabricantes americanos tenham se esquecido por completo que as ferramentas adequadas são elementos necessários que devem vir com cada automóvel) . Vinte e duas ferramentas separadas constituem o equipamento de um MG.
Submeti o carro a uma prova completa e fiquei muito bem impressionado com as magnificas qualidades que possui. Se trata simplesmente de um tipo diferente de automóvel com o que o motorista americano não está acostumado. Este modelo de automóvel não satisfaz a necessidade de milhões de americanos, porém oferece características de grande singularidade em um automóvel esportivo.

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